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domingo, 4 de janeiro de 2009

Crônica

Um comentário breve antes de iniciar esta crônica. Os estilos romântico e erótico fazem parte dos meus preferidos. Por motivos óbvios, meus textos eróticos não serão postados aqui. Mas tenho um romântico que fiquei com vontade de publicar depois de relê-lo. Espero que aproveitem a ridicularidade do romantismo tanto quanto eu, que sou adepto do poeta que diz que Todas as cartas de amor são ridículas. O poeta é o Fernando Pessoa.


 


maria.


(...) meu anseio que era grande demais para ser contido. (...) Tentei te encontrar nas nuvens, nas estradas, tentei te encontrar na minha cama, no meu quarto, sozinho. (...) Percebi que estava sonhando com você. (...) Eu preciso ter você de verdade. (...)


Por Thaís


 



Maria.
Por Marq

Decidi não dormir por hoje. Não só por hoje, aliás. Não vou mais dormir se não for ao seu lado. É que se eu dormir, sei que vou sonhar com você. E quando eu perceber que é sonho e me virar para o lado e não encontrar você dormindo, vou me entristecer. Se hoje eu dormir, se esta carta não for terminada por conta do peso das minhas pálpebras, vou acordar chorando.


Mal tínhamos combinado de dormir naquela hora. E nem tinha espaço para os dois. Dormimos juntos em um colchão de solteiro no chão e foi, de longe, uma das melhores coisas que já fizemos. Lembraremos do dia em que a única coisa que nos manteve juntos ali foi a intensa vontade de não deixar o outro ir embora para sempre. Por isto, nesta noite, sonhei com você. Não lembro do sonho com detalhes, mas acordei sorrindo. E com você ao meu lado.


Não é aprazível partir. Mas matar a saudade que nunca morre vai ser mágico. Sabe, é essa a saudade que tenho. Essa que não importa se estou ao seu lado mas eu ainda sinto. Digo que a mato, mas apenas a escondo. É a saudade do que ainda não se foi. Saudade do seu abraço, mesmo com você ao meu lado.


Se amanhã eu estiver de olheira, sabe que não dormi. Se estiver com lenço, sabe que acordei chorando. Mas se eu simplesmente estiver, seja como for, triste ou feliz, com ou sem sorriso, bonito ou feio... se eu estiver e apenas estiver... seja aonde for, mesmo ao seu lado, estarei com saudade.


Mas não vou conter meus anseios. Vou encontrar você nas nuvens, estrada, cama e quarto. Me encontro com você até sozinho, quando só é possível lembrar do seu cheiro e voz, pele e olho. Lembrar acordado ou dormindo. Percebi que sonhei com você. De novo.


Preciso ter você de verdade.

domingo, 12 de outubro de 2008

Liga, liga, liga...

... estou esperando. O celular está na mão. Liga, vai!


E se eu ligasse? Não! De novo não. Da última vez você ligou vinte e duas vezes!


Ei, quem é você? Você, oras! Como assim? Nós dois somos a mesma pessoa! Estamos na mesma consciência. E você veio me atrapalhar?


Como? Eu sou você! Mas eu estou esperando ela ligar. Eu também, mas tenho uma dica para você não ficar tão nervoso. E se você arrumasse algo para fazer?


Nossa, tenho que ler um livro. É a única opção. Bom... melhor que ligar vinte e duas vezes novamente. E daí ela vai me achar um chato. Nós dois, né.


Nós cinco! Ah! Não me importa quantos tenham dentro desta cabeça, parece que todos querem a mesma coisa... que este telefone toque logo.


É isso aí! Toca! Se não tocar nós vamos invadir, tomar conta! Destruir tudo. Revolução! Revolução! Toca!


Ei... ouviu isto? O que? O silêncio! Droga!!! Fiquei com expectativas. Eu também... mas é que o silêncio... ele não cessa.


E agora?! O que vamos fazer? Não sei. Continua lendo.


Não existe na humanindade... qualquer resquício... como a civilização se ocupa de... a evolução de seu pensamento. Que é isto? Xiiiiu... estou tentando ler. Ah! Desisto de ler. Só dá para entender estes fragmentos aí e toda vez tenho que recomeçar.


Quer saber? Liga logo e pronto!


O que você achou que fosse acontecer? Ela não atendeu de novo, claro! É para você aprender a se controlar. Mas ela bem que podia ligar, né?


---


Triiiim... Triiiiim...


Não é ela. Tenho certeza. Deve ser alguém que ligou para um número errado.


Alô! Não, não. Não é daqui, não. Não. Tchau.


Viu!!! Mas que saco, podia ser ela.


Mas não era.


Será que algum dia vai ser?


 


P.S.: Quem nunca passou por isto?!

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Sobre a verdade

Quando ouvi esta frase eu assistia televisão em um lugar que dava para ouvir conversas vindas da rua. Daí comecei a ouvir tudo repetidamente três vezes. Eu ainda não tinha enlouquecido, porque minha mãe também estava ouvindo estas vozes. Até que do outro lado do portão ouvi Aqui é o José Carlos Biagioti, tia, abre a porta para mim. Aqui é o José Carlos Biagioti, tia, abre a porta pra mim. Aqui é o José Carlos.... Biagioti, tia. Abre a porta p'mim.


Vai saber o que me moveu no sentido de abrir a porta, porque já em primeiro alarme fui avisado que seria melhor não ir até lá, Vai que ele está com um pedaço de pau na mão, bêbado, e pega você de surpresa, este foi o sábio aviso de minha mãe. Mas é que a mãe, este lado oraculoso de nossas mães, mesmo tendo razão, sempre é ouvida depois que tudo acontece. O oráculo do Édipo rei foi a mesma coisa. Só fizeram algo depois que já era tarde. Por que eu seria diferente, me perguntei.


Com o que restou de sobriedade em mim, ouvi minha mãe quando me disse para dar a volta e ir pela porta dos fundos. Mal sabia eu que teria um encontro implacável com uma verdade que não sossegaria até que fosse dita de maneira completa, clara. Subi pela rampa de acesso que leva aos fundos e dei a volta na casa, indo para o portão, desta vez do outro lado dele. Vi de longe um alguém sentado e de costas. Estranho que a verdade se nos apresenta primeiro de costas e só aos poucos se nos mostra.


Quando se virou, não se apresentou logo, claro, o que mais esperar da verdade. Eu que tive que lhe fazer as perguntas. Você, está bem, quer água ou precisa de algo. Nada de respostas. Quando se dirigiu a mim disse Sou o José Carlos Biagioti, eu vim buscar meus documentos com a minha tia que mora nesta casa, e apontou para a minha casa. Claro que esta não era a verdade. Repetiu mais duas vezes para ver se eu acreditava. Resolvi acreditar.


Perguntei o nome de sua tia. Sem resposta. Em vez disto, ouvi três vezes Eu vim da guerra mundial do Brasil, em Ribeirão Preto, eu sou polícia. Guerra mundial do Brasil, aqui em Ribeirão, e quem mais esteve nesta guerra, perguntei, Só eu, matei todos os estrangeiros, Tinham estrangeiros em guerra aqui, eu quis saber, Alemães, ingleses, americanos, franceses, tinha até japonês, Nossa, e como você fez isto sozinho. Silêncio. A verdade não se revela assim tão fácil, às simples perguntas.


Mas interessante que as duas repetições além da frase original pararam. Acho que parou de tentar me convencer. Teria que revelar a verdade por outra via. E como não respondeu à última questão para não se revelar simplesmente quando lhe fosse requisitada, resolveu mudar a abordagem.


Todo mundo é inimigo, e eu sou tenente coronel, sou da polícia, a guerra mundial do Brasil acabou, foi lá em Ribeirão, e todo mundo é inimigo. Resolvi oferecer mais água. Ribeirão Preto, neste dia, estava marcando quarenta e dois graus celsius. De verdade. Ignorou.


Você é meu inimigo, eu mandei você me matar, E por que eu faria isto, Porque você é inimigo, Ora, mas você pode até se dizer meu inimigo, mas veja, não estou tentando lhe matar, quero lhe ajudar, estou oferecendo água. Reparei que o cigarro apagado em sua mão tremia muito e ele se esforçava por tragar em vão. Aquele homem devia ter uns 50 anos, aproximadamente. Semblante cansado, respiração difícil e bastante trêmulo. Mas não hesitava em andar em baixo de sol pleno. Era aproximadamente 15h. Simplesmente ia. E se encostava na parede enquanto estava sentado. Era assim que o tinha encontrado.


Ei, eu estou reconhecendo você, você é meu filho, disse ele, E como eu me chamo, retruquei, Não lembro, E qual a minha idade, Uns 20 anos, e você vai me levar para casa, minha tia está me esperando com meus documentos, Mas se sou seu filho, eu que moro na sua casa e não o contrário, Não, você vai me levar para casa e me oferecer um café à sua mesa, Já lhe ofereci água, mas se quer um café lhe trago, você pode esperar, perguntei, Eu não, você é meu inimigo.


Inimigo por quê, perguntei, Porque você estava na guerra mundial de Ribeirão Preto, a cidade que eu construí, E destruiu na guerra, perguntei. Silêncio. E você ia me matar, Acho que não, você não me é inimigo, ao contrário, estou lhe tratando como amigo. Sua expressão mudara e pela primeira vez me olhou nos olhos. Pediu com os olhos que eu lhe repetisse a última frase, como ele mesmo o fazia quando queria me convencer, no início de tudo. Desta vez eu teria que convencê-lo. E olhando em seus olhos disse novamente Para mim, você é amigo. Estendeu a mão e esboçou um aperto de mão. Dei-lhe a minha mão. Foi a única vez que o vi sorrir. Se levantou animado, querendo ir para casa. Pois vá, estarei aqui para quando quiser ajuda, Oras, me arrume um copo de água, Quer um fósforo, perguntei. Silêncio.


Voltei com uma garrafa de dois litro de água e uma caneca. Só que o encontrei dormindo. Ainda na ânsia de cumprir minha palavra, resolvi que ia buscar uma garrafa menor e deixar a água ali, para quando acordasse. Aproveitei e peguei uma caixa de fósforo. Quando voltei, ele  estava sentado já acordado. Não se lembrou de seu filho até que eu lhe dissesse que era seu amigo, não inimigo. Então, de repente, quase sem sentido, ele me disse a verdade! Na cara! Aquelas palavras não poderiam ser mais sábias. Fiquei sem jeito. Andei meio de lado. Ressabiado, sorri e só pude dizer Oras, pode ser. Tomou água com toda a certeza de que era a melhor parte do seu dia. Lembrei do relógio marcando quarenta e dois graus. Terminou sua água, não quis ficar com a garrafa, pegou a caixa de fósforo e fumou o que restava do cigarro apagado em sua mão. Ainda me disse que matou muitos inimigos e que vinha da guerra mundial do Brasil. Falou algo sobre voltar de avião para a casa do próprio pai. Sem mais nem menos, se levantou e foi embora.


Fiquei pasmo. A verdade me fora revelada, sem custo, sem dor. Tudo o que precisei fazer foi dizer que era sua amiga. E não se engane com aparências, a verdade se revela por entre as mentiras que contamos. Em verdade, nenhuma mentira é mentira, ao contrário, é verdade pedindo gentilmente por ser revelada. Mas aquela verdade... minha mãe me avisou para não ir lá, eu iria levar uma paulada. O que ele me disse foi... Você é louco, pois está conversando comigo. Louco.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

O Brasil...

... está em vias de se tornar Primeiro Mundo. E resolveu começar pelos desastres naturais. Já temos terremotos, tornados, leves geadas, mas que têm se intensificado aos poucos. Ou pelo menos ganhado visibilidade aos poucos.


E agora estamos em época de eleição. Relutei muito em escrever sobre este tema. E para ser sincero, o tema dos terremotos e a discução de Primeiro, Segundo e Terceiro Mundo me interessam muito mais do que este. Mas, já que iniciei o assunto, gostaria de fazer um pedido encarecido aos políticos.


Odeio comício. Odeio propaganda política, ainda mais as de trinta segundos. Odeio papeletinhos. Odeio adesivos de carros. Pensando nisto, eu gostaria de propor aos nossos queridos vereadores que, em vez disto que fazem, que se comprometessem de uma vez por semana estar em um ambiente público para discutir política por pelo menos 1h. E que fizessem isto desde a campanha política até o fim de seu mandato.


Pedir muito? Não sei. O psicólogo recebe de seus pacientes para ter um horário de atenção a eles. O médico e boa parte dos profissionais de saúde também. O engenheiro tem que dispor de parte de seu horário em função daqueles que lhe pedem para construir suas casas. O advogado pára seu dia para receber um cliente, que paga os honorários. Só que nós pagamos boa parte dos nossos salários para pessoas que nem sequer sabemos se têm mal hálito, mas que são lindas no nosso novo televisor de plasma com recepção de sinal digital. Claro, esta televisão a gente só vê nos supermercados, porque ainda é muito caro comprar uma. Ou o dinheiro está mal distribuído?


Por isto, eu aviso desde já que meu voto fica dedicado ao primeiro candidato que em minha cidade se comprometer em ter uma aparição pública semanal de hoje até o fim do seu mandato, em prol de conversar com quem lhe pagará o salário sobre aquilo que será seu ofício. A política. Nem que o candidato seja ruim, já merece um voto por ser inaugural. E se isto acontecer e puder virar moda entre os políticos, aí volto a analisar o que eles têm a me dizer.


Senhores políticos, se passarem por aqui e já estiverem fazendo o que propus acima, por favor postem um comentário me informando como entrar em contato. De preferência um email, tendo em vista que acredito que muitos políticos irão postar seus nomes aqui e o email facilita a comunicação com várias pessoas.


Claro, a última frase foi irônica.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

A Casa das Rosas...

... me deu um sorriso e me fez um convite tentador. Sinceramente, o sorriso era mais tentador do que o convite, mas como o convite me valia outro sorriso resolvi aceitar. Eu estava nas Clínicas quando entrei no metrô. Junto comigo alguém lia Os pensadores.


Entre Clínicas e Consolação os tais pensadores não ajudaram muito. Só fizeram me confundir com seus sistemas de pensamento baseados em vivências que mais lhe serviram às suas épocas. Eu ainda estava entre as Clínicas e a Consolação e por isto os pensamentos eram de queixa. Eu me queixava de tudo. Eu me queixava de mim mesmo. Tive que enfrentar que, em verdade, os pensadores não pensavam por mim. Teria que pensar sozinho. Teria que sentir sozinho.


Acabei me arrumando quando larguei os tais pensadores na Consolação. Não na deles, na minha. Mas é que de fato Os pensadores não seguiram viagem até o Museu de Arte. Tive que, com meus próprios pensamentos e sentimentos mais profundos, encontrar o lugar na arte que, passado o momento de Consolação, me recepcionou muito bem. Não no Museu, mas na Casa das Rosas.


Mais uma vez, ela sorriu para mim. A arte apresentada era obra prima. Duvida? Procure pela Chama Poética na casa das rosas. Fui recebido com tamanha sinceridade que a Casa das Rosas seria até mesmo capaz de me dizer, sem qualquer vestígio de medo ou temor, quando eu deveria simplesmente me retirar. Sem argumentar ou tentar retornar... apenas me retirar. Se me valesse mais Arte ou mais Sorrisos eu até me retiraria sem argüir.


Mas não era esta a minha vontade. Nem a da Casa.


 


http://ciclodaschamas.blogspot.com/

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Agora nada

Nasci em casa, Cresci em casa, Aprendi a andar em casa, Me alimentei em casa, E tão logo pude alcançar a estrada que fui, Sem olhar para trás nem para a própria estrada, Virei adulto na estrada, Aprendi sobre a vida na estrada, Conheci você antes de partir.


Pena, quis olhar para trás, Vi só estrada, Sonhei com a casa.


Andei o mais rápido que pude, Cheguei em casa, Você esteve lá, Sinto algo, É o cheiro de estar em casa, É seu cheiro, Mas sonhei com a estrada.


Corri para a estrada, sonhando com a casa, E tudo começou a ficar confuso, Não achei você na estrada, Senti saudade do seu cheiro.


Encontrei você em casa, sonhei com a estrada, Ficou mais confuso, Como pode a estrada ser melhor que a casa, Quero descobrir, Saí para a estrada, senti saudades de casa.


Nem em casa nem na estrada me sinto na estrada ou em casa, A estrada porque não tem você, A casa porque não tem a estrada.


Me desfiz de você, A casa perdeu o sentido, A estrada perdeu o sentido.


E agora.

domingo, 10 de agosto de 2008

Querido professor

Venho por meio desta comunicar algo que é deveras importante para nós. Acredito que isto não altere a maneira como o respeito ou como nos relacionamos. Afinal de contas, não tenho um décimo de sua experiência e um centésimo de suas leituras. Mas preciso dizer que não concordo com você. Claro que também preciso dizer que concordo pouco com qualquer outro. É que hoje acordei com especial vocação para não concordar com muito do que você me diz. Não me importa dizer que é a idade, ou que eu tenho muito o que aprender, ou que eu é que não tenho razão. Na minha cabeça, você errou e eu acertei. Não sou obrigado a concordar com você única e tão somente por ser mais velho, ter mais títulos e mais conhecimentos. Nem porque este é seu ofício de anos ou porque esta é sua especialidade. O fato é que vou fazer à minha maneira e dizer as minhas coisas porque assim eu quero. E não me venha com sermões sobre aprendizagem ou qualquer outro. Não concordo e pronto. E assumo! Quero de outra maneira e estou disposto a correr os riscos por discordar de você. Inclusive o risco de quebrar a cara e no final das contas ter que chorar que você tinha razão. Não me importo. Desde que eu possa aprender a caminhar com as minhas pernas, e não as suas. Para mim, suas pernas são mancas. Mesmo que sirvam para você, se fosse me carregar, certamente andaria em outro passo. Por isto, fica decidido que não concordo com seu ponto de vista e vou espalhar o meu por aí. E vejo você quando isto tudo tranqüilizar e possamos conversar sobre isto como se não fosse mais importante. Como se nem precisássemos falar nada por saber que o que aconteceu aconteceu, e que agora não só não tem volta como um dos dois aprendeu algo de novo. E espero fazer isto sem que nunca nos digamos nada sobre este assunto. E que isto possa fortalecer nossos laços por nos tolerarmos como somos.


 


Sinceramente,


Obrigado.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Olha só...

... é assim, tem essa menina, ela é minha ex-namorada e tal, só que de uns tempos para cá ela voltou a falar comigo, e não sei o porquê, você, como psicólogo, pode fazer uma análise e dizer, Não, Como não, você é psicólogo, deveria saber, Mas não sei, Mas olha, ela ficou sabendo provavelmente que eu comentei dela para umas pessoas que provavelmente ela conhece, ela é de cidade pequena onde todo mundo conhece todo mundo, sabe como é, e recentemente conheci duas meninas de lá e falei que tinha uma ex-namorada de lá e disse o nome, e elas provavelmente a conheciam porque é cidade pequena, daí eu sei que ela sabe que eu falei dela, e ela veio falar comigo por internet para dizer desculpas daquela vez que namoramos, Hum, E aí que eu não sei o que ela queria, o que será, Eu acho que ela queria pedir desculpas, Mas isto eu já falei, Eu sei, Então faça uma análise dela e diga o porquê de ela querer pedir desculpas, Não dá, Como não dá, você não estudou para isto, Eu acho que você está fazendo confusão, ela não disse que queria pedir desculpas, Disse, Então é isto, ela queria pedir desculpas, Só isso, Só isso, Mas o que mais, Mais nada, o que você queria que eu dissesse, O porquê de ela querer pedir desculpas, Você tá paquerando sua ex, Talvez, Ah, então é isso, Mais ou menos, eu até acho que seria interessante poder reencontrar e conversar, Então pronto, vai lá e paquera, Mas será que é isto o que ela quer, Como eu vou saber, Ué, você estudou para isto, Vou lá buscar minha bola de cristal, Mas isso não é psicologia, Nem o que você está me pedindo para fazer, nunca vi a moça, Mas, Mas nada, paquera ela e pronto, não é o que você quer, É.


 


 


Agradeço ao Saramago, o primeiro autor que li assiduamente, por ter inventado este estilo que, depois que acostumei, nunca mais consegui largar completamente. Mesmo que este seja oficialmente meu primeiro rascunho neste estilo, minha maneira de pensar e de ler os outros livros que não dele mudaram muito.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

O que você esperava?


Quando nos conhecemos, ela estava namorando um outro rapaz. Aos poucos nos apaixonamos. Começamos a ficar porque eles estavam brigando muito. Só terminaram umas duas semanas depois que ficamos a primeira vez. Hoje terminamos nosso namoro. Ela estava ficando com outro rapaz.



 
Por que você nunca prestou atenção em mim! É por isto que quero terminar. ... Mas o que você diz não condiz com o os seus atos! ... Não tenho mais motivos para confiar em você. Adeus! ... Estes anos todos você poderia olhar para mim e reconhecer o que sou. ... Como você não consegue? Teria que conseguir!

 
Noooossa! Que menina linda! Olha o tanto de homem que tem em volta dela!!! Vou lá falar com ela.

...

Por que você sempre sai e fica um monte de homem em volta de você? Precisa parar com isto! ... Claro que a culpa é sua! Olha como você se veste, e o jeito que fala com eles!

 
Não dá. Não... Hoje não.  ... Ah! Porque é complicado. Não... Deixa pra mais pra frente.

...

Melhor não. ... Claro que quero, mas é que hoje não pode. Preciso ir, beijo.

...

Mas desta vez quase deu. Prometo que da próxima vai dar. ... Não é por causa do meu ex. ... Sei não. ... Você está livre na quarta? ... Ah, é. Você trabalha.

...

Como não? Não vá me dizer que não! Justo agora que eu me esforcei tanto. O que aconteceu?

 
Sempre gostei de namorar. Já tive namoros de dias, meses e anos. Mas agora resolvi ser galinha! Não agüento mais essa vidinha certinha.

...

Ai! Por que eu fiz isto? Perdi o amor da minha vida! Tudo culpa desta promessa de não namorar. Maldita culpa! Quando vou me livrar dela?

 

O que esperamos do mundo?

domingo, 6 de julho de 2008

O quarto é quase escuro...

... porque é iluminado apenas pela luz do computador. Já é noite e só se ouve o silêncio. Para tapar o desespero causado pela ausência sonora, colaca sua lista no lastfm. Checa o Orkut. Caixa de email vazia. Ninguém no Msn.


Deita e finge que a música o diverte. Mas as músicas, que antes serviam para tapar o desespero, começam a desesperar. Não só pela repetição, mas pelo conteúdo.


Já ao som gelado do Cientista de Coldplay, ele percebe, como se fosse novidade, que está apaixonado pela internet. Ah! A Internet... como eram bons os tempos que as pessoas se falavam olho no olho. Saíam às ruas como se o planeta ainda fosse habitado por outros seres humanos. Outro invento parecido foi o telefone. Em diferente grau e função, a televisão.


Pouco a pouco, a humanidade criou um novo meio ambiente, alheio às leis naturais de temperatura, ventos, movimento. Mas pertencente à lógica do Bug milenar, do World clock, da língua inglesa. À lógica da música que ninguém canta ou toca, do texto que não usa tinta, da luz que emite sentido, da vida virótica que não vive em outro meio. Sim, existem discussões sobre a vida de um vírus de computador. Veja: Se multiplica sozinho, existe em um meio e é capaz de mutações e adaptações. O único problema concreto que pode pôr em cheque esta definição é uma que se aplica também aos vírus proteicos de Se isto é vida.


Isto é vida?


 


- - -


Cena 2:


 


Será que ela entra hoje? Pena, não está online. Mas e se eu esperar?! Já sei! Vou fazer algo diferente... vou conhecer novas páginas. Dizem que há milhões por aí.


Tédio... as páginas novas são tão novas... tão diferentes do que eu estava acostumado. Não gostei. Queria mais do mesmo. Queria falar com ela!


 


- - -


Cena 3:


 


Oi! Nossa, que bom te ver por aqui, na Internet.


...


É mesmo! faz tempo que não nos falamos. Novidades?


...


Por que você fez isto?


...


Sério que não gosta do jeito que eu sou?


 


- - -


Cena 4:


 


Sou?! É isto o que sou? Um ser de frente para um ambiente que não existe, seguindo leis que não se aplicam à realidade, para me satisfazer com algo que não satisfaz?


E ela?! Quem é ela?


 


- - -


Cena 5:


 


Pena que os pensamentos anteriores se aplicam também ao ambiente fora do computador, exceto o fato de não ter sido inventado pelo homem. Não seria o computador uma reinvenção do que o homem acredita que É? E tenta Ser sempre que usa mais uma vez? Mas deixa de Ser quando percebe que aquilo que criou achando que É, em verdade, não É?


 


- - -


Cena 6:


 


Está tarde, vou dormir, enfim. Mas não ia.


A Thaís diria Podia, sim, abrir os olhos. Não queria. O problema dela era esse.


http://freudentenderia.wordpress.com/2008/07/03/play-dead/

sábado, 28 de junho de 2008

Sobre a amizade

O artigo desta quinta, 26/06/2008, do Calligaris para a Folha de São Paulo foi uma das coisas mais bonitas que eu já li. Mesmo que eu ainda o esteja digerindo e embora eu ainda não tenha certeza se concordo plenamente com o ponto de vista dele, pelo menos foi algo que me deixou pensando muito. Certamente ele tem razão e acredito que eu não tenha concordado precisamente por estar passando por um momento que o artigo descreve tão bem e que me é estranho, até então. O link posto assim que achar o texto online. Resolvi escrever sobre uma amiga que aos poucos foi se tornando uma grande amiga e que reservo muita consideração.


O artigo lido me trouxe muitas memórias importantes sobre mim. Entre elas, me fez pensar em outros textos do mesmo autor. Um em especial fala sobre internet (não me lembro a data de publicação nem o título) e diz que ela, a internet, possibilita que compartilhemos fantasias que antes seriam impossíveis de ser compartilhadas.


Fato. Esta é uma amiga que conheci virutalmente por conta de uma viagem que fiz. Depois, começamos a conversar por compartilhar um gosto musical similar. Aos poucos, construímos outros tipos de relação, ainda virtualmente. Até nos conhecermos pessoalmente. E passamos a compartilhar conversas sobre momentos importantes que aconteceram conosco quando ainda nem nos conhecíamos e quase ao mesmo tempo.


Afora as tragédias que a internet pode trazer (será que é mesmo ela quem traz?), também tem lá suas vantagens. Mas voltemos a esta amiga novamente. Acredite se quiser, isto tudo me fez lembrar outro texto do mesmo autor. Este sim sei aonde consigo o link. Posto-o ao lado (Um (discutível) conselho para casais). É certo que não somos um casal, não no sentido de namorados. O mais importante é que pude me tornar amigo dela a ponto de, concordando com Calligaris, amar com o projeto de ser transformado pelo que ela espera de mim. Em verdade, me transfomei mesmo.


Espero que todos, algum dia, encontrem alguém assim. Que não seja necessário se subjulgar ao outro, mas que seja capaz de compartilhar bandas, gostos que antes não era possível gostar... passar a tolerar O segredo (livro), horóscopo, bebidas e até outros amigos. Cada uma destas coisas ela esperou que eu gostasse, que eu aproveitasse ou que eu fosse daquela maneira. Pude aproveitar muitas delas.


Com sorte, percebi que tenho alguns outros amigos como ela.


Agora estou ouvindo Stereophonics. Gracias, mi amiga!

terça-feira, 17 de junho de 2008

Quem é você?


Se ela soubesse! É claro que ela era Sofia Amundsen, mas quem era esta pessoa? Isto ela ainda não tinha descoberto direito.


E se tivesse outro nome? Anne Knutsen, por exemplo. Será que só por isso seria também outra pessoa?


(...)


- Sou Sofia Amundsen - disse.



 


Jostein Gaarder, O mundo de Sofia.


 


 




O cara do cachorro não tinha nome. Quer dizer, ele deve ter tido um algum dia, mas ele me disse que não o usava mais, porque não concordava com nomes. Ele achava que os nomes impediam que as pessoas fossem qualquer coisa que quisessem, e depois que ele me explicou isso, consegui entender mais ou menos o que estava querendo dizer. Digamos que você se chame Tony ou Joanna. Bem, você foi Tony ou Joanna ontem, e será Tony ou Joanna amanhã. Então você está ferrado, cara. As pessoas poderão sempre dizer coisas do tipo: Oh, isso é bem coisa da Joanna. Mas o cara do cachorro podia ser tipo umas cem pessoas diferentes, todas em um só dia. Ele disse que era pra eu chamá-lo de qualquer coisa que me viessa à cabeça, então, no início, ele era Cachorro, por causa do cachorro, e depois virou Sem-cachorro, porque ele foi a um pub tomar uns gorós e deixou o cão do lado de fora. Daí ele teve duas personalidades completamente diferentes na primeira hora que passamos juntos, pois Cachorro e Sem-cachorro são meio que tipos opostos, não são? Um cara com cachorro é diferente de um cara sem cachorro. Um cara com cachorro tem uma imagem diferente de um cara num pub. E não dá pra dizer: Oh, isso é bem coisa do Sem-cachorro deixar que o cachorro cague no jardim de alguém. Não faria sentido, faria? Como pode o Sem-cachorro ter um cachorro que caga no jardim de alguém, ou melhor, como pode ter qualquer cachorro que seja? E o argumento dele é o seguinte: todos nós podemos ser Cachorros e Sem-cachorross em um único dia. Meu pai, por exemplo, pode ser Não-pai quando está no trabalho, porque quando está trabalhando ele não é meu pai. Sei que isso tudo é muito complexo, mas se você pensar bem a respeito, faz sentido.



Nick Hornby, Uma longa queda.

sábado, 7 de junho de 2008

Ah! Então foi assim...

Obviamente, o primeiro Escrito. Aquele em que a gente se apresenta. A primeira impressão é a que fica?


Não sei. Mas aceitei a dica de um amigo que mandou por iogurte: "Cara, faz um blog". E aproveitei que tenho uma amiga e ídolo que coloca várias coisas legais no blog dela para ser o que impulsionaria a criação do meu próprio blog.


Minha idéia? Não sei ao certo. Quero escrever sobre coisas que me façam ou fizeram pensar. Ainda não tenho certeza se ele sobreviverá.


Ah! O título... também é emprestado. Esse mesmo amigo que disse que eu deveria fazer um blog... pois é. A gente vive repetindo essa frase, que o Freud explica, mas não resolve. Porque acreditamos que Freud é muito bom, mas tem uma observação importante a se fazer: quanto mais se lê mais se percebe que ele pode explicar psicanaliticamente o porquê, por exemplo, de o melancólico ser desta ou daquela maneira, de os chistes funcionarem por esta ou aquela razão e mais um monte de coisas que ele escreveu em mais de vinte volumes, mas isto nunca resolve a melancolia ou cria a piada. Assim, ele explica, mas quem tem que se virar é sempre o sujeito.


Mas isto não esclarece nada. Por que este título? Nem adiantaria explicar... não iria resolver.


A arte de deixar o que não importa passar.


Foi assim. Resolvi começar.