... porque é iluminado apenas pela luz do computador. Já é noite e só se ouve o silêncio. Para tapar o desespero causado pela ausência sonora, colaca sua lista no lastfm. Checa o Orkut. Caixa de email vazia. Ninguém no Msn.
Deita e finge que a música o diverte. Mas as músicas, que antes serviam para tapar o desespero, começam a desesperar. Não só pela repetição, mas pelo conteúdo.
Já ao som gelado do Cientista de Coldplay, ele percebe, como se fosse novidade, que está apaixonado pela internet. Ah! A Internet... como eram bons os tempos que as pessoas se falavam olho no olho. Saíam às ruas como se o planeta ainda fosse habitado por outros seres humanos. Outro invento parecido foi o telefone. Em diferente grau e função, a televisão.
Pouco a pouco, a humanidade criou um novo meio ambiente, alheio às leis naturais de temperatura, ventos, movimento. Mas pertencente à lógica do Bug milenar, do World clock, da língua inglesa. À lógica da música que ninguém canta ou toca, do texto que não usa tinta, da luz que emite sentido, da vida virótica que não vive em outro meio. Sim, existem discussões sobre a vida de um vírus de computador. Veja: Se multiplica sozinho, existe em um meio e é capaz de mutações e adaptações. O único problema concreto que pode pôr em cheque esta definição é uma que se aplica também aos vírus proteicos de Se isto é vida.
Isto é vida?
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Cena 2:
Será que ela entra hoje? Pena, não está online. Mas e se eu esperar?! Já sei! Vou fazer algo diferente... vou conhecer novas páginas. Dizem que há milhões por aí.
Tédio... as páginas novas são tão novas... tão diferentes do que eu estava acostumado. Não gostei. Queria mais do mesmo. Queria falar com ela!
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Cena 3:
Oi! Nossa, que bom te ver por aqui, na Internet.
...
É mesmo! faz tempo que não nos falamos. Novidades?
...
Por que você fez isto?
...
Sério que não gosta do jeito que eu sou?
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Cena 4:
Sou?! É isto o que sou? Um ser de frente para um ambiente que não existe, seguindo leis que não se aplicam à realidade, para me satisfazer com algo que não satisfaz?
E ela?! Quem é ela?
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Cena 5:
Pena que os pensamentos anteriores se aplicam também ao ambiente fora do computador, exceto o fato de não ter sido inventado pelo homem. Não seria o computador uma reinvenção do que o homem acredita que É? E tenta Ser sempre que usa mais uma vez? Mas deixa de Ser quando percebe que aquilo que criou achando que É, em verdade, não É?
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Cena 6:
Está tarde, vou dormir, enfim. Mas não ia.
A Thaís diria Podia, sim, abrir os olhos. Não queria. O problema dela era esse.
várias indagações. gostei do que você disse na primeira cena.
ResponderExcluirtantos eus, elas, e às vezes todo mundo tem a mesma dúvida. será?
só depende se você prefere ou não tapar os olhos (e os ouvidos, coração e etc).
beijo!