... que toda mulher quer: emagrecer, transar e um cartão de crédito sem limite. E experimente lhe negar qualquer dos três!
Dica prática: não experimente.
Tinha esta sujeitinha magricela de tudo. O que penso de magricelas? Azedas! Igual limão verde. Imagine o seguinte. O mundo inteiro a idolatra por ser magra. Convive com a inveja a cada meio mundo que lhe passa ao lado. Junte a isto a infelicidade que ela, magricela, vive por querer, tal qual qualquer outra mulher, permanecer magra ou emagrecer mais. Um sujeito em condições extremas não poderia reagir bem ao mundo.
Sei que fui trabalhar no dia seguinte e dei de cara com aquela magricela de novo. Cara, você já viu como aquela funcionária nova é azeda, ouço alguém comentar. Se eu disser que é porque é magra ninguém vai acreditar. Uma vez namorei uma magricela. Quero nem lembrar!
Lá na fila da loja em que trabalho vejo uma gordinha. Meu colega de trabalho tem qualquer fetiche por gordinhas. O que tem tornado minha vida pouco melhor nos últimos dias. Com ele, tenho a certeza de que alguém, em algum lugar do mundo, gosta de você do jeitinho que você é.
Meus planos são conseguir um jeito de me livrar do trabalho sem me livrar do salário. Chuck Palahniuk me vem em mente. Espancar-me a mim mesmo na frente do meu chefe seria uma boa opção. Tyler Durden, Tyler Durden! De quebra, me livro de trabalhar com a magricela.
Dica prática: espanque-se somente em locais sem câmera de segurança.
A gordinha chega no guichê do meu colega. Ele sussurra algo no ouvido dela e enquanto ele o faz, vejo a cara dela de surpresa com um quê de desejo. Levantou o rosto e arregalou os olhos, de boca fechada, e sem falar mais nada, pagou as contas em silêncio e permaneceu no interior da loja. Estranho?
Estranho seria se ela não ficasse. Tal qual tem uma comunidade de pessoas que fazem sexo em aviões com desconhecidos no pequeno banheiro que lá existe, há também os caixas e seguranças que usam os provadores de lojas e banheiros dos recintos em que trabalham para aliviar suas tensões sexuais. Não acredita?
Dica prática: paquere um garçom.
Dica prática: paquere um segurança.
Dica prática: paquere um caixa. Especialmente esse meu amigo.
De volta à magricela da loja, que eu ia falando dela no começo. Lembra que comentei que uma das coisas em que mulher pensa é transar? Já que comecei, vou terminar o assunto da ex-namorada magricela. Quando terminamos, tentei voltar com ela. Eu ainda me sentia um babaca e achava que ainda amava a moça. Falei que tinha errado e que não era aquilo que eu queria. Sabe o que ela perguntou quando tentei voltar? Você transou com outra menina, foi o que ela perguntou.
Dica prática: não se humilhe gratuitamente.
Dica prática: não responda a verdade. Responda apenas Não.
Respondi Sim. A partir disto, apurei minhas crenças. Mulher quer sexo como uma das três principais coisas de sua vida e ainda quer que o "seu" homem a queira somente a ela e que não seja pelo sexo!
Dica prática: finja que entendeu.
Dica prática: finja para ela que entendeu.
A gordinha saiu do provador com uma cara bastante melhorada e o corpo visivelmente mais relaxado. Reparo que ela sai ainda arrumando o cabelo e olha para um dos espelhos da loja para conferir novamente a maquiagem. Se eu não soubesse o que ela foi fazer ali dentro, não teria notado que, inclinando muito pouco a cabeça, ela também procurou discretamente por marcas que eventualmente ficaram em seu pescoço. Logo depois, vejo meu amigo arrumando a calça e saindo do mesmo provador.
Uma das coisas que faço é cuidar do numerário da loja. Verifico a quantidade de dinheiro em caixa e repasso para os caixas ou retiro deles conforme necessidade ou segurança. Isto me dá um pouco mais de dois mil reais por mês. Mais benefícios. Vejamos. Duzentos mil reais aplicados em renda fixa a cerca de 1% ao mês e eu teria meu salário pago sem precisar trabalhar. Acaba de sumir a quantia de duzentos mil reais do cofre. Sentirão falta somente no fim do dia, durante o fechamento do meu caixa.
Meu colega chega do meu lado. Me dá dinheiro, diz ele. Nem minha namorada fala assim comigo. Ela teria feito carinho antes. Acabou do caixa, ele fala. E daí? Sou seu banco?
Ele levanta a mão e me mostra 5 dedos. Pego cinco mil reais do cofre, anoto a contabilidade e entrego para ele. Ele assina e diz Olha aquela gordinha na fila, um espetáculo. De relance, vejo a magricela cochichar com meu chefe. Com várias risadinhas. Aquela magricela azeda. Não sei a graça que meu chefe vê nela. A única graça que vejo é que, pensando bem, ela até pode me ser útil.
Pois bem. Com os novos planos que fiz para justificar o sumiço dos duzentos mil reais do cofre, resolvi que não comentarei mais sobre o azedume dela. Soube que ela estava sendo paquerada pelo chefe e tive uma grande idéia! E mais duzentos mil reais somem do cofre da empresa neste mesmo dia. Refaço mentalmente as contas de quantas horas faltam até o fechamento do meu caixa. Quatro horas, já se foi meio dia de trabalho, e com mais duas horas de almoço posso considerar seis horas de contagem regressiva para finalizar o plano.
Dica prática: somente roube sua empresa se tiver um bom plano em mente.
No final da manhã, entrei de supetão na sala do chefe logo depois de vê-lo cochichando ao ouvido da magricela. Obviamente, não fiquei surpreso em vê-la com as pernas para o alto com a calcinha pendurada em apenas um dos joelhos, de salto alto da mesma finura que suas pernas agora descobertas pela saia. A cena clichê de sexo em escritório, o chefe com as calças abaixadas até meia altura com as pernas da moça apoiadas em seus ombros e ela deitada à mesa com coisas jogadas no chão e o vestido puxado para cima mostrando somente um seio, semi-ocultado pela mão do chefe. Por demais de repetitiva tal cena, nem se deram o trabalho de parar o que estavam fazendo. Ainda com movimentos de ida e vinda, o chefe apenas olhou de lado e resmungou De novo, será possível que esta fechadura nunca funcionará, ele se perguntou e na seqüência O que você quiser, discutiremos em alguns minutos, agora saia!
Dica prática: é fácil pegar seu chefe neste tipo de emboscada. Apenas observe.
Fechei a porta e ouvi os gritos de ambos. Eu não queria nada dele. Não da maneira como ele pensa. Poucos mil reais e eu fico quieto, nem em sonho. Penso em coisas realmente maiores.
Dica prática: não seja megalomaníaco. Somente eu já me basto como o melhor!
Durante o almoço, fiquei imaginando como eu ficaria no lugar do meu chefe. Sinceramente, a magricela ainda me parece muito azeda, mas o limão que está temperando o peixe do meu prato ficou, de repente, muito saboroso. E me pus a imaginar a mim mesmo em todas as posições de escritório que existem sendo feitas, uma a uma, eu e a magricela. Ela praticamente deitada na cadeira, com as pernas para o alto, ela de costas para mim, também na cadeira, depois no chão, na parede, em cima da mesa, de costas e em cima da mesa, eu em cima da mesa com ela por cima de mim. De alguma forma, pensei também como seria sair do escritório em um carro esportivo vermelho com ela entrando pela porta do passageiro e me beijando no pescoço enquanto dirijo. Depois comecei a pensar em todas as posições de carro que existem. Ela de costas comigo em baixo, no banco de trás, cada um no seu banco e usando apenas o dedo, e depois a boca, deitando o banco do motorista totalmente e ela em cima do meu rosto.
O telefone toca enquanto estou no meio desta grande imaginação que me fez quase ter uma ereção. Telefone, sem dúvida, brocha. Não atendi a ligação, era um número estranho. Provavelmente engano. E começo a pensar em posições de telefone, de quando o aparelho se faz, milagrosamente, não brochante. Imagino atendendo o telefone no carro de luxo em movimento com a magricela fazendo sexo oral. Imagino em casa deitado e ela...
Chega! Chega.
Pego o telefone e disco para a magricela. Meus planos são simples. E diretos. Dou duzentos mil reais para a magricela e o que ela terá que fazer é chantagear o chefe para ela simplesmente ir embora com os quatrocentos mil reais que sumiram do cofre. Ridículo? Parece bem óbvio que ele não irá aceitar e que colocará a polícia atrás de nós na mesma hora. O que ele, meu chefe, não sabe é que a magricela terá, antes de eu voltar do almoço, me espancado com meu consentimento, tirará sangue de mim e o levará junto com ela até o chefe. Caso ele recuse a oferta de chantagem, ela fará um drama e chorará, ajoelhará pedindo clemência a ele. Enquanto isto, ele pede para a polícia ir até a loja nos prender. É neste ponto que ela, ajoelhada aos pés e agarrando mãos dele, espalhará meu sangue nelas e ligará para mim. Eu entrarei na sala e a trancarei e, no melhor estilo Tyler Durden, vou me surrar na frente do meu chefe. Só que melhor. Agora ele terá sangue meu em suas mãos, de maneira que ficará complicado explicar ao juiz como foi parar ali.
O detalhe é que O telefone da magricela não atende, eu grito. E saio correndo. Perdi quase todo o meu tempo de almoço pensando nas melhores maneira de comer a magricela que agora só posso agir. Entro no meu gol quadrado velho e penso como seria se no lugar dele estivesse uma Ferrari ou algo do tipo. Mas foi só um nem segundo, porque já tenho mesmo que correr de volta até a loja para que possamos pôr o plano em ação.
Entro na loja e vejo, de longe, a magricela sair pelo outro lado. Tento ser discreto o mais que posso e apenas passo ao lado do meu amigo que ia puxar algum assunto se eu não tivesse atravessado do lado dele sem lhe dizer nada. Chego até a magricela e a imagem do seio dela aparecendo sob a mão do meu chefe me vem em mente quando ela se vira para mim com um sorriso, Sim, ela diz. Eu preciso falar com você dentro da loja. Se possível, dentro do provador.
Ela faz uma cara meio estranha, olhando de lado, mas topa. Abaixa um pouco a cabeça e passa pelo meu lado ao entrar de novo pela porta da loja. Até chegar no provador, começo a me imaginar fazendo as posições de provador. Levantando ela do chão encostada no espelho da parede e puxando seu vestido para cima, enquanto minha respiração embaça o vidro, sentado na cadeirinha com ela de frente, com ela de costas, ela com a mão na cadeirinha de costas para mim abrindo levemente as pernas e com salto alto. Chegamos no provador. Nem começo a explicar para ela meus planos quando nós ouvimos uma estranha gritaria na loja.
Assalto, assalto! Mãos para cima os caixas, clientes ao chão. Queremos saber quem aqui tem a senha do cofre.
Meus planos mudaram. Saí do provador prontamente, Eu que tenho a senha, já vou colocá-la no cofre, tem abertura de retardo. O botão de pânico, em tese, seria eu quem apertaria. Aquele botãozinho que a gente vê em filme estadunidense que a mocinha do caixa abaixa discretamente a mão e aperta um botão que liga para a polícia. Mas eu não vou apertar o botão. Enquanto ouço mulheres chorando ao se deitarem no chão por estarem participando de um assalto, eu vou, por contraste, caminhando tranqüilamente até o cofre e até esboço certo ar de felicidade. Como todos estão em pânico e preocupados demais com suas próprias vidas, ninguém repara neste meu ar.
Coloco a senha do cofre e me sento pacientemente para esperar o tempo que tem entre o digitar da senha e a abertura do cofre. Os assaltantes se assustam com minhas reações por demais tranqüilas, mas acabam se acalmando também. O cofre se abre e levam tudo! Hora de apertar o botão do pânico.
Dia seguinte, leio o jornal. Assaltantes levam oitocentos mil reais de cofre de loja.
Dica prática: nunca acredite na imprensa. Eles ficaram só com quatrocentos mil.
Os outros quatrocentos mil estão comigo. Não tinha falado do meu plano para a magricela quando entramos no provador. Portanto, ela não soube que roubei o cofre e pude, assim, ficar com todo o dinheiro. Como ela era nova na loja, não sabia muito sobre mim. De maneira que, depois do assalto, disse a ela Vou largar o emprego, sou rico demais para trabalhar aqui, e ia convidar você para se mudar de cidade comigo porque eu queria mesmo era transar com você no provador no dia do assalto, sabe, você estava tão bonita, emagreceu, perguntei. Como ela ouviu apenas as palavras rico, transar e emagreceu, não pestanejou. As três famigeradas coisas que toda mulher quer.
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