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domingo, 2 de novembro de 2008

Sofia


Durante muito tempo, Hilde tentara fazer a mesma coisa. Mas piscar os dois olhos ao mesmo tempo para sua própria imagem refletida era tão difícil quanto querer correr da própria sombra. Por fim acabou ganhando de presente o espelho, herança da bisavó. Durante toda a sua infância ela tentou várias vezes realizar este feito impossível. (p. 311)



 




- A primeira coisa que eu vi foi que você não estava.


- Não é estranho que a primeira coisa que você viu neste local tenha sido justamente algo que não estava aqui?


(...)


- Quando você está apaixonada e esperando o telefonema de seu namorado, pode ser que você "ouça" a noite inteira que ele não telefona para você. O fato de ele não telefonar é exatamente o que você registra o tempo todo. Se você vai buscar seu namorado numa estação ferroviária e está numa plataforma tão cheia de gente que não consegue encontrá-lo, pode estar certa de que você não enxerga todas estas pessoas. Elas incomodam, mas são irrelevantes para você. Você pode achá-las antipáticas, eu mesmo repugnantes. Elas tomam tanto espaço... Mas a única coisa que você registra é que ele não está ali. (p. 489)



 




Se que o cérebro humano fosse tão simples ao ponto de podermos entendê-lo, nós seríamos tão idiotas que não conseguiríamos entendê-lo. (p. 355)



 




- Preste atenção. Um mal-entendido muito comum é o de achar que o espírito é "mais etéreo" do que o vapor. Na verdade, o que ocorre é o contrário: o espírito é mais sólido do que o gelo. (p. 526)



 




- Um de nós vai ter de nadar até o barco.


- Vamos nós dois, papai. (p. 547)



 


O mundo de Sofia.


Jostein Gaarder.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Quem é você?


Se ela soubesse! É claro que ela era Sofia Amundsen, mas quem era esta pessoa? Isto ela ainda não tinha descoberto direito.


E se tivesse outro nome? Anne Knutsen, por exemplo. Será que só por isso seria também outra pessoa?


(...)


- Sou Sofia Amundsen - disse.



 


Jostein Gaarder, O mundo de Sofia.


 


 




O cara do cachorro não tinha nome. Quer dizer, ele deve ter tido um algum dia, mas ele me disse que não o usava mais, porque não concordava com nomes. Ele achava que os nomes impediam que as pessoas fossem qualquer coisa que quisessem, e depois que ele me explicou isso, consegui entender mais ou menos o que estava querendo dizer. Digamos que você se chame Tony ou Joanna. Bem, você foi Tony ou Joanna ontem, e será Tony ou Joanna amanhã. Então você está ferrado, cara. As pessoas poderão sempre dizer coisas do tipo: Oh, isso é bem coisa da Joanna. Mas o cara do cachorro podia ser tipo umas cem pessoas diferentes, todas em um só dia. Ele disse que era pra eu chamá-lo de qualquer coisa que me viessa à cabeça, então, no início, ele era Cachorro, por causa do cachorro, e depois virou Sem-cachorro, porque ele foi a um pub tomar uns gorós e deixou o cão do lado de fora. Daí ele teve duas personalidades completamente diferentes na primeira hora que passamos juntos, pois Cachorro e Sem-cachorro são meio que tipos opostos, não são? Um cara com cachorro é diferente de um cara sem cachorro. Um cara com cachorro tem uma imagem diferente de um cara num pub. E não dá pra dizer: Oh, isso é bem coisa do Sem-cachorro deixar que o cachorro cague no jardim de alguém. Não faria sentido, faria? Como pode o Sem-cachorro ter um cachorro que caga no jardim de alguém, ou melhor, como pode ter qualquer cachorro que seja? E o argumento dele é o seguinte: todos nós podemos ser Cachorros e Sem-cachorross em um único dia. Meu pai, por exemplo, pode ser Não-pai quando está no trabalho, porque quando está trabalhando ele não é meu pai. Sei que isso tudo é muito complexo, mas se você pensar bem a respeito, faz sentido.



Nick Hornby, Uma longa queda.