Durante muito tempo, Hilde tentara fazer a mesma coisa. Mas piscar os dois olhos ao mesmo tempo para sua própria imagem refletida era tão difícil quanto querer correr da própria sombra. Por fim acabou ganhando de presente o espelho, herança da bisavó. Durante toda a sua infância ela tentou várias vezes realizar este feito impossível. (p. 311)
- A primeira coisa que eu vi foi que você não estava.
- Não é estranho que a primeira coisa que você viu neste local tenha sido justamente algo que não estava aqui?
(...)
- Quando você está apaixonada e esperando o telefonema de seu namorado, pode ser que você "ouça" a noite inteira que ele não telefona para você. O fato de ele não telefonar é exatamente o que você registra o tempo todo. Se você vai buscar seu namorado numa estação ferroviária e está numa plataforma tão cheia de gente que não consegue encontrá-lo, pode estar certa de que você não enxerga todas estas pessoas. Elas incomodam, mas são irrelevantes para você. Você pode achá-las antipáticas, eu mesmo repugnantes. Elas tomam tanto espaço... Mas a única coisa que você registra é que ele não está ali. (p. 489)
Se que o cérebro humano fosse tão simples ao ponto de podermos entendê-lo, nós seríamos tão idiotas que não conseguiríamos entendê-lo. (p. 355)
- Preste atenção. Um mal-entendido muito comum é o de achar que o espírito é "mais etéreo" do que o vapor. Na verdade, o que ocorre é o contrário: o espírito é mais sólido do que o gelo. (p. 526)
- Um de nós vai ter de nadar até o barco.
- Vamos nós dois, papai. (p. 547)
O mundo de Sofia.
Jostein Gaarder.