Não bastasse a segunda lição com inúmeros conceitos, a terceira vem e introduz mais um sem número de novas idéias. Por este motivo, o presente resumo não pretende ser suficiente para esgotar a lição que contém uma virada importante na teoria freudiana. Que é a passagem da análise de histéricos para a análise da vida comum, cotidiana.
segunda-feira, 1 de junho de 2009
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
Sonhos
"Sonhar não faz parte dos trinta direitos humanos que as Nações Unidas proclamaram no final de 1948. Mas, se não fosse por causa do direito de sonhar e pela água que dele jorra, a maior parte dos direitos morreria de sede."
Eduardo Galeano
Faz algum tempo que ensaio escrever sobre os sonhos. E penso que chegou um momento propício para isto. Esta semana tive a oportunidade de contemplar um sarau do mais alto nível que aconteceu em Ribeirão Preto e contou com a presença de ilustres artistas. Em pouco tempo, me fizeram me sentir em casa e despertaram em mim algo que em verdade diz mais respeito ao quase oposto do despertar. Algo que se compara ao mágico. Este algo que prezo ter o direito não declarado pela ONU de tê-lo comigo todas as noites.
Aliás, o texto acima pode ser encontrado neste endereço, que também posto ao lado. http://www.dhnet.org.br/desejos/sonhos/dsonhar.htm
No entanto, não é sobre os meus sonhos que quero falar. Há algum tempo tenho contato com uma pessoa que sonha. Muito. E claro, eu a contemplo. Muito. Não estou dizendo sobre os sonhos despertos, estes que mais se parecem com sonhos morais do que com a concretude do desejo. Quero falar sobre este último. Antes, permita-me explicar as frases anteriores.
Há muito, bem antes de me inclinar sobre os estudos de tal fenômeno, ouço pessoas dizendo que sonham em ser engenheiros ou advogados, ou sonham em estudar, ou sonham em ser feliz. Claro que todos estes sonhos têm grande potencial de construtibilidade, se me permitem a invenção desta palavra caso não exista. No entanto, todos eles me parecem conter algo de comum quando se trata dO que é socialmente aceito.
Acredito que minha opinião sobre o sonho de ser feliz já foi dada em outro texto (Felicidade foi-se embora) e, por isto, parece ser o jeito mais fácil de explicar o que quero dizer. Os planos de felicidade que construímos socialmente não nos têm deixado opção diferente do Seja feliz. Neste sentido, estes sonhos sempre me soam alegorias da vontade de ser socialmente aceito e não de ser feliz. Isto porque escondem algo do desejo que fora outrora desejado mas não pode mais transparecer em prol de ser visto e aceito por terceiros.
Me desculpe Galeano, mas a continuação do seu texto também segue esta linha de raciocínio. Mas acredito que só foi possível a ele, Galeano, escrever algo de tão verdadeiro como a frase supracitada porque ele sonha durante as noites. E, claro, não me esqueço de repetir que todos os sonhos dele no texto citado têm grande potencial de construtibilidade, esta palavrinha que usei há pouco. Mas é que hoje não estou tão interessado nestes sonhos.
Quero reavivar às pessoas sobre a existência dos sonhos comuns. Estes que temos durante a noite. Alguns dizem não os terem e até acredito que seja mesmo possível. Mas não consigo conter o pesar que sinto por todo aquele que por qualquer motivo tem uma das janelas do desejo fechada. Por sorte, não é a única janela. Mas também não vou me prolongar por este assunto por agora.
Como ia dizendo, tenho tido contato com esta pessoa que sonha muito. Noto sempre o quão importante é cada sonho que ela tem. E que a cada sonho ela reluta em dizer que tudo aquilo que acaba ficando óbvio por si só Não é óbvio, nem sequer existe, nem fez parte do sonho. Claro que faz. Mas é tão custoso admitir que temos algo que não sabemos em nós. Assim, é difícil admitir que aquele sonho foi por ciúme E inveja simultâneas de tal pessoa. Ou que é preciso morrer para recomeçar (em sentido simbólico, claro). Ou que desejávamos mesmo sentir ódio de fulano e que no sonho foi inevitável matá-lo.
Por outro lado, sabemos que temos algo desconhecido em nós. Afinal, é fácil reconhecer que não escolhemos os conteúdos dos nossos sonhos. Portanto, eles só podem acontecer por motivos desconhecidos por nós mesmos. Mesmo assim, é custoso.
Reconheço e respeito as dificuldades de admitir que algo foge em nós mesmos do nosso controle. Mas é que hoje... hoje acordei poeta. E por isto acordei apostando que os sonhos farão o trabalho de nos mostrar que não nos governamos nem a nós mesmos.
E com sorte, poderemos encará-los com a mesma coragem e medo que tem feito esta pessoa que admiro.