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segunda-feira, 30 de março de 2009

E se todos os dias...

Inspirado pelo filme
"Groundhog day"

 


... fossem 25 de dezembro? E se eu acordasse de novo naquele mesmo dia em que lhe conheci? Se eu lhe dissesse que vivo eternamente no dia 25, que faria?


Meu único lamento seria você não se lembrar do 25 anterior. Mas eu veria seus olhos se apaixonarem pelos meus com a mesma sinceridade de todos os outros dias. Não se apaixonaria de novo, mas sim pela primeira vez todos os dias. Eu me apaixonaria pela primeira vez continuamente, porque seria inútil eu usar a mesma paixão antiga e gasta contra a autenticidade da descoberta. Naquele dia você diria sempre que nunca deixou de me querer. Lembra?


Redescobriríamos o amor a cada dia pela primeira vez. Mesmo que a levasse a novos lugares. Fizesse coisas diferentes.


Todos os dias seriam o primeiro. E todos os outros se tornariam em 25.

domingo, 22 de junho de 2008

No sufoco...

... é um livro do Chuck Palahniuk traduzido para o português há não muito tempo. Palahniuk ficou famoso por seu livro Clube da luta, que mais tarde virou um filme interessante com o Brad Pitt, Edward Norton e Helena Bonham. Um comentário sobre este filme posso fazer em outra hora, mas fica recomendado tanto o filme quanto os dois livros.


É um livro que conta como a personagem principal vive sua vida engasgando de restaurante em restaurante até quase morrer somente para ser salvo e, conseqüentemente, arrecadar fundos para si mesmo. Vale a pena ler para conferir como isto se desenrola. O livro esbarra em inúmeros assuntos na maneira Palahniuk de narrar. Entre eles, vou me ater em um específico.


Para isto, vou contar o final do livro. Mas fique tranqüilo, porque o que vou contar não estraga a leitura. Isto porque não revelarei a história, mas sim o sentido que se pode tirar dela. Com sorte, a vontade de ler o livro poderá aumentar. A história acaba e o autor diz que vivemos repetindo o passado.


O que ele quer dizer? Mesmo no livro, a personagem se vê frente a situações das mais diversas possíveis. Ele conta a história do menino que o levou a ser aquele homem e as histórias são bem diferentes! Como podem ser repetidas? Ainda mais em alguém tão dinâmico quanto aquela personagem, que tem várias facetas divergentes e várias histórias simultâneas, quase como se fosse uma pessoa diferente em cada situação. O que ele quer dizer?


Claro que o livro tem seu sentido peculiar, e este é um bom motivo para lê-lo. Mas como situações tão novas e diversas podem ser repetição?


Nossa, isto dá pano às mangas! O fato é que nossas repetições fogem ao nosso controle. Para aqueles que dizem odiar rotina ou que sempre pegam caminhos diferentes para voltar para casa, só tenho a lamentar a falácia ao qual se submetem ao fazer da Não repetição a mais pura repetição. Talvez por aqui eu possa responder à pergunta sobre o livro... as mais variadas situações giram em torno do mesmo tema sem percebermos. A chave para a questão é o Sem percebermos.


Não percebemos que os namoros não são A, B, C... mas A, A', A''. Ou as comidas. Ou os amigos. Ou as conversas. Ou o trabalho. Ou as viagens. Ou a negação de tudo isto. Assim como a personagem do livro não percebeu que repetia sua vida a cada capítulo diferente de sua história. Ainda bem que não percebemos!


Como assim? Sempre aprendi que repetição é um saco, que faz relacionamentos caírem em rotina e que estragam amizades ou qualquer outra coisa. Não seria melhor perceber as repetições e evitá-las? Pessoalmente, discordo que repetições sejam ruins a este ponto. São as repetições que nos fazem ser bons profissionais, por exemplo. Você iria em um médico que nunca repetiu por vários anos Ser médico? Ou contrataria um estilista que nunca assistiu a um desfile? Ou um administrador que não tenha feito contas e pensado em empresas por pelo menos alguns anos?


Em psicanálise, procuramos justamente por tudo aquilo que não percebemos mas que faz parte de nós. No entanto, não vivemos em constante análise e por isto não é preocupante que não percebamos as repetições. Aliás, contém certo grau de relaxamento quando nos permitimos repetir e usar a repetição criativamente. Como quando nos tornamos médicos, lemos, escrevemos, viramos estilistas ou administradores.


Mais uma vez, culpamos quem não devia por ter feito o que não fez. A repetição não parece ser nossa inimiga. Chuck diria, desta vez em outro livro entitulado Cantiga de ninar, que Quanto mais as coisas mudam, mais continuam na mesma. Concordo. Não podemos evitá-la. E algumas vezes (maioria delas) clamamos por mais do mesmo.