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segunda-feira, 9 de março de 2009

Questão de Direito

Em homenagem ao sarau Eleituras.


 


Soubera de um certo sarau temático sobre Os sete pecados capitais. Comecei, então, a procurar por eles em vias de poder relatar a experiência. De início, a gula se fez clara pela falta de um "r" comido de Releituras. Pobre "r"... não bastasse a nova gramática, faltaram ao guloso escrúpulos em comê-lo.


Como ainda outros "rr" existem por aí, resolveram se vingar. Utilizaram-se de toda a ira que possa dispor a uma letra, ou grupo de letras, e organizaram um multirão. Atacaram o Rio de Janeiro. Pórrrta. Pôrrrteira. Pôrrrtão. Nas ruas foi um alvoroço. Porrra bródi, tu tinha qui vê a galiera puxando o érrre. Como não se controlaram, o invejoso "s" mostrou para o que veio. Exxtava na exxquina da exxcola exxperando o ônibuxx. Ira e inveja em um só parágrafo, na mais pura ganância ou avareza que um parágrafo pode ter.


Já que citei a nova gramática, gostaria de lembrar que neste últimos tempos cometeram um dos maiores atos de luxúria já vistos em uma língua. É que misturaram em um só quarto todos os idiomas portugueses a fim de tirar um filhote em comum. Eu, que não sou dado a orgias com este fim e propósito, fiquei de fora, com modos antigos, a escrever tremas e acentos diferenciais puramente morais, mas necessários, no meu entendimento. Chamem de vaidade se quiserem.


Para a preguiça, pensei mesmo em dizer sobre a falta de vontade literária de nosso querido Brasil. Mas, talvez por preguiça, julguei não ser o caso para tanto. Preferi escrever algo mais leve. Sobre a preguiça aparente ao tratarmos determidados assuntos como corrupção, assassinato ou desigualdade social. Mesmo os pecados capitais, que de início eram oito, mudam ao longo dos anos. Impomo-nos regras morais em número de sete sendo que as maiores atrocidades da humanidade são perpassadas por questões para além dos pecados. Estas questões nunca mudaram.


Não é pecado capital matar. Nem roubar. Ou mentir. Não é direito humano sonhar, nem surtar, se distrair. Não é pecado a impunidade. Nem direito a criatividade.


Questão de justiça: o que é pecado e o que é direito?


Se eu fosse letras, se pudesse me dar ao luxo de escolher-me a mim para gritar algo para o mundo, escolheria a frase: O mundo está ao contrário!