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terça-feira, 30 de setembro de 2008

Dave Matthews, Ben Harper, About us e esperança

Esta semana resolvi inaugurar uma categoria nova no blog. Já escrevi outras vezes sobre música, mas agora resolvi que terei um espaço para ela por aqui. É que este fim de semana assisti um show memorável da Dave Matthews Band, conhecida também por suas iniciais DMB.


Em sua turnê pelo Brasil neste 2008 já esteve em Manaus e em São Paulo e estará hoje, 30/09, no Rio de Janeiro. A julgar pelo show de São Paulo, será imperdível.


Aproveito para prestar uma homenagem a LeRoi, recentemente falecido e ex-saxofonista da banda, e para lembrar que os músicos da banda se apresentaram de preto.


Sobre a música, Dave e banda estiveram impecáveis com improvisos que são de seu costume e sem repetir set list. Os shows de Manaus e São Paulo variaram músicas e versões e o público do Rio pode esperar o mesmo. Torço para que a homenagem para o LeRoi dê certo lá. Ela está sendo organizada pela DMBrasil, um site brasileiro sobre a banda que acompanho há 7 anos, desde que ele existe.


O show foi feito em um festival de música que ainda compareceram, para citar alguns, o Ben Harper, Seu Jorge e Vanessa da Mata. O festival leva o nome de About us e foi, afora os imperdíveis shows, uma das coisas que me chamou a atenção. Já ouviu falar em evento ecologicamente sustentável?


Pois bem. Ingenuidade seria se eu acreditasse que os presentes quisessem limpar o planeta. Não queriam. Estavam todos ali para ver as bandas. Mas é que mesmo assim, pude presenciar cenas raras. Um evento com trinta e cinco mil presentes e pouquíssima sujeira no chão ao fim da festa. Quase não era possível achar uma bituca de cigarro. Organização do evento?


Sim e não. Claro que a preocupação deles com o bem estar do planeta foi determinante. Mas mais do que isto, idéias realmente simples fizeram a sujeira ser reduzida. Bituqueiras de cigarro eram gratuitamente distribuidas e feitas de materiais já reciclados. Grandes latas de lixo perto de locais imprescindíveis. E muita propaganda no telão. Em verdade, a propaganda no telão só me chamou a atenção pelo fato de que ninguém dava bola para ela. Há muito já me convenci de que se conscientização fosse suficiente, a humanidade já teria se salvado. Como assim?


Desconheço qualquer pessoa que não tenha vícios. Em absoluto. Não raro ouço que Sou viciado em pizza, I'm addicted to Simple Plan, Não consigo parar de mexer a perna, Fumar é meu vício, Não consigo parar de mentir, Não sei porque, mas café... não passo sem. E é este Não sei porque que vai me ajudar a responder a pergunta acima, Como assim, para o porque de a conscientização não salvar a humanidade.


Não sei porque sempre surge, reparem, para coisas que, mesmo que usemos a consciência, não conseguimos fazer diferente. Assim, o sujeito pode ter vários problemas sérios de estômago ou pulmão e ter sido alertado diversas vezes para parar de beber café ou fumar que ainda assim achará bons argumentos para manter-se na mesma situação anterior. Pois é, há muito Freud nos alertou de que não temos em nós mesmos o controle sobre nós. Uma maneira simples de vê-lo falar disto é ler as Cinco lições de psicanálise. Os exemplos que dou aqui são bastante simples comparados aos que ele dá nos textos, mostrando de maneira fácil que, em verdade, não nos governamos.


Não que as esperanças acabaram. E a About us me relembrou que não acabaram mesmo. Mas é que ainda teimamos que o simples conhecimento de algo nos tornará imunes a ele. Quer ver?


Frases recorrentes em minha vida de psicólogo, Você tem que se tratar, como vai conseguir tratar dos outros sendo louco, Você que sabe bem disto, não poderia agir assim, Como é que você, um psicólogo, pode pensar assim, Isto é repressão e você deveria saber disto. Para todas estas frases, duas coisas. Psicólogo não deixa de ser um humano. E o mais importante para este texto, também não sabemos porque fazemos certas coisas, justamente pelo fato de sermos humanos. Por isto, apenas saber não salva a humanidade.


Mas não temos controle sobre nós e a esperança por um mundo melhor não acabou, como ela se sustenta?


Pois é, como? Não sei. Posso arriscar que seja o amor, o trabalho, a cooperação, a arte... Esta tal esperança nos ocorre, também, fora dos limites de nossa vontade. E apesar de eu ter ouvido de todos que os vídeos sobre ecologia estavam uma chatice e todos xingarem a mocinha no palco quando falava de evento sustentável, foi um dos eventos mais limpos que já presenciei. A minha esperança veio daí. E de ver artistas de alta qualidade, como Dave Matthews Band e Ben Harper, tocando nossos corações com músicas da mais alta qualidade. E de ver trinta e cinco mil pessoas em favor de se divertir sem, pelo menos que eu tenha visto, nenhuma briga.


E a sua, vem de onde?