segunda-feira, 30 de março de 2009

E se todos os dias...

Inspirado pelo filme
"Groundhog day"

 


... fossem 25 de dezembro? E se eu acordasse de novo naquele mesmo dia em que lhe conheci? Se eu lhe dissesse que vivo eternamente no dia 25, que faria?


Meu único lamento seria você não se lembrar do 25 anterior. Mas eu veria seus olhos se apaixonarem pelos meus com a mesma sinceridade de todos os outros dias. Não se apaixonaria de novo, mas sim pela primeira vez todos os dias. Eu me apaixonaria pela primeira vez continuamente, porque seria inútil eu usar a mesma paixão antiga e gasta contra a autenticidade da descoberta. Naquele dia você diria sempre que nunca deixou de me querer. Lembra?


Redescobriríamos o amor a cada dia pela primeira vez. Mesmo que a levasse a novos lugares. Fizesse coisas diferentes.


Todos os dias seriam o primeiro. E todos os outros se tornariam em 25.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Questão de Direito

Em homenagem ao sarau Eleituras.


 


Soubera de um certo sarau temático sobre Os sete pecados capitais. Comecei, então, a procurar por eles em vias de poder relatar a experiência. De início, a gula se fez clara pela falta de um "r" comido de Releituras. Pobre "r"... não bastasse a nova gramática, faltaram ao guloso escrúpulos em comê-lo.


Como ainda outros "rr" existem por aí, resolveram se vingar. Utilizaram-se de toda a ira que possa dispor a uma letra, ou grupo de letras, e organizaram um multirão. Atacaram o Rio de Janeiro. Pórrrta. Pôrrrteira. Pôrrrtão. Nas ruas foi um alvoroço. Porrra bródi, tu tinha qui vê a galiera puxando o érrre. Como não se controlaram, o invejoso "s" mostrou para o que veio. Exxtava na exxquina da exxcola exxperando o ônibuxx. Ira e inveja em um só parágrafo, na mais pura ganância ou avareza que um parágrafo pode ter.


Já que citei a nova gramática, gostaria de lembrar que neste últimos tempos cometeram um dos maiores atos de luxúria já vistos em uma língua. É que misturaram em um só quarto todos os idiomas portugueses a fim de tirar um filhote em comum. Eu, que não sou dado a orgias com este fim e propósito, fiquei de fora, com modos antigos, a escrever tremas e acentos diferenciais puramente morais, mas necessários, no meu entendimento. Chamem de vaidade se quiserem.


Para a preguiça, pensei mesmo em dizer sobre a falta de vontade literária de nosso querido Brasil. Mas, talvez por preguiça, julguei não ser o caso para tanto. Preferi escrever algo mais leve. Sobre a preguiça aparente ao tratarmos determidados assuntos como corrupção, assassinato ou desigualdade social. Mesmo os pecados capitais, que de início eram oito, mudam ao longo dos anos. Impomo-nos regras morais em número de sete sendo que as maiores atrocidades da humanidade são perpassadas por questões para além dos pecados. Estas questões nunca mudaram.


Não é pecado capital matar. Nem roubar. Ou mentir. Não é direito humano sonhar, nem surtar, se distrair. Não é pecado a impunidade. Nem direito a criatividade.


Questão de justiça: o que é pecado e o que é direito?


Se eu fosse letras, se pudesse me dar ao luxo de escolher-me a mim para gritar algo para o mundo, escolheria a frase: O mundo está ao contrário!