segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Megalomania



Para Cisco

Lugar novo. Onde será que é o banheiro? Ahá! Achei. Bem ali. Melhor ir agora antes que alguma coisa ou força maior impeça que eu faça isto mais tarde. Com licença, com licença. Cuidado com um pé. Outro. Cheguei!



Aqui nem tem tanta privacidade assim. Pelo menos o lugar é limpo. Tem cheiro de novo! Gosto de lugar novo, limpo. Outro dia estive em um lugar limpíssimo que dava inveja. Jogaram uma espécie de alvejante no chão que era tão forte que meus olhos lacrimejaram. Coitado de quem limpou. Mas depois que terminaram esta limpeza, e quando eu cheguei já estava no final e por isto eu pude ver tudo, passaram um borrifador com cheirinho de chocolate. Você já sentiu o cheiro de ambiente com perfume de chocolate? Devia experimentar.

Aaaah. Terminei o xixi. Que alívio. Onde estava mesmo? Ah! Já sei. Preciso descobrir de quem é este lugar. E vou dar uma olhada nele para conhecê-lo melhor.

Até que este quarto é grande. Aconchegante. Uma cama simples no canto de lá do quarto. A janela semi-aberta e entra um ar gostoso. Em dia de frio, como hoje, a luz entra com sensação de estar opaca, cinza. O armário no canto oposto... opa. Não está encostado na parede! O que será que tem naquele canto atrás do armário?

Passos. Ouço passos. Melhor sair daqui antes que seja descoberto. Depois continuo minha exploração. Que será que tinha naquele canto atrás do armário?

O sofá da sala parece meio duro. De frente para a televisão, é verdade. Mas duro. Vou tentar a poltrona. Bem melhor! Ainda bem que ninguém está por aqui. Posso ficar mais confortável. Me estiquei, espreguicei. Vou cochilar um pouco.

Passos outra vez! Melhor eu dar o fora daqui. Tem um outro quarto que ainda preciso bisbilhotar. Notei que tem uma cama para mim nele. Tem até meu nome, olha! Mas não gostei. Quero aquela cama maior, ali. Será que ela tem dono? Está sem nome! Sem dúvidas, este quarto é melhor que o outro. Maior, com uma cama de casal bem confortável e também uma cama com o meu nome. Um criado mudo novinho e um belo guarda-roupas! Bem maior que o armário daquele outro quarto. Uma mesa com um computador dobrável de viagem. Mmm... gostei deste criado mudo. Mas tenho que cair fora de novo... ouço passos outra vez.

Sabe... até que este parece mesmo o melhor lugar do mundo. Claro, para alguém com minhas proporções. Dá para brincar de bola, dar uma corridinha, dormir no sofá a tarde toda. Opa! E a comida?

Humpf... Duas portas estão fechadas. Não consigo abrí-las. Seria uma delas a cozinha? Aposto que sim. E aposto que deve ser uma cozinha enorme, cheia de guloseimas e refeições inteiras para cinco ou seis famílias! Tudo para mim. Eu, eu, eu e só eu.

Que horas são? Parece tarde. Aqueles dois que estiveram passando de um lado a outro já foram dormir. E estão usando a cama grande e aconchegante. Melhor eu procurar um canto para mim. Ou não. Vou dormir a tarde inteira, mesmo. Vou é brincar de bola! Melhor!!! Vou ver aquelas coisas que têm atrás do armário. Que será aquilo?

Caixas! Abertas! E com plástico bolha! Devo dar uma olhada? Claro! Que pergunta! Quem não se diverte com um plástico bolha? Já os vi em outra ocasião. E bem que os humanos gostam deles, de ficar estourando bolinha por bolinha e fazendo um barulhinho repetitivamente bobo. Eles se divertem com barulhinhos... humanos!

Falando neles, alguém acordou. E está vindo para cá. Por quê? Não, não! Não me tire desta caixa, os plásticos bolha são demais! Odeio aquela cama com meu nome. Humpf... Obrigado por me soltar, mas agora eu vou atrás da minha própria cama.

Xiii... fecharam a caixa. E agora? Vou brincar de bola. Depois arrumo um canto. Esta bolinha faz um barulhinho engraçado! Hihihi... Chacoalho e chacoalho... Mas, hein?! Eu estou me divertindo com barulhinhos bobos? Igual humanos!? Como sou bobo. Não brinco mais.

Ah! O sofá. Logo estes humanos acordam e eu vou mostrar para eles que não é só a cama que é minha. Esta casa inteira me pertence! Humanos fracos. Depois desta cochilada.

Acordaram. Vou me esconder! Deixo para depois o plano de provar minha propriedade sobre esta casa. Ela até que é legal. O banheiro, aquelas pedrinhas na caixa, são bem limpinhas e a ração é de primeira! Vou tomar conta...

Eles estão mudando de cor. Tiram aquela cor que estava por cima da pele deles e agora colocam outra. Que povo maluco! Será que mudaram de cheiro? Um pouco. Mas a essência ainda é a mesma. Então... para quê? Bobos!

Um deles já saiu. Logo, será a vez do outro.

Mmm... Está aí. Estão desistindo. Eu só tenho que ser mais forte que eles e ficar aqui por mais tempo. E aí tudo será meu!

Vamos, vamos, seu fracassado. Saia logo daqui. Esta casa pertence a mim! Saia e prove que eu, e só eu, tenho a propriedade disto daqui!

Venci!!! Humanos são mesmo um fracasso. Posso ficar tranqüilamente deitado e deleitando-me completamente deste lugar. Meu, meu! Só meu!

...

Vem chegando alguém. Quem quer que seja, curve-se à sua majestade felina! Rei deste lugar! Terras em que a comida é farta, o banheiro é limpo e a água é fresca! Seja somente bem-vindo caso eu assim o autorize!

Se bem que na última hora eu fiz cocô naquelas pedrinhas... e o cheiro não estava mais dos melhores. Melhor fazer meus escravos trabalharem. Troque as pedrinhas do meu banheiro, humano inútil! Assim mesmo! E sirva-me mais comida e água!

Ainda bem que educaram estes humanos direitinho!

Sou mesmo um rei. O rei dos gatos! O rei dos humanos!

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