segunda-feira, 1 de junho de 2009

Terceira Lição

Não bastasse a segunda lição com inúmeros conceitos, a terceira vem e introduz mais um sem número de novas idéias. Por este motivo, o presente resumo não pretende ser suficiente para esgotar a lição que contém uma virada importante na teoria freudiana. Que é a passagem da análise de histéricos para a análise da vida comum, cotidiana.


Implicitamente, Freud nos diz que aqueles mecanismos de formação de sintoma, que antes ele concebia presente apenas nas histéricas, agora se podem aplicar à normalidade. Em tímida nota de rodapé, cita seu texto "Psicopatologia da vida cotidiana". A noção central do texto é a de determinismo psíquico. E os fenômenos descritos são o sonho, o ato falho e a associação livre.


Antes de criar qualquer confusão, determinismo psíquico não significa que o que acontece na infância determina a vida adulta. Nem tampouco que perdemos nosso livre-arbítrio. Explicação chula e rápida: determinismo psíquico se pensa ao contrário. Pensa-se que em uma associação de uma idéia com outra, elas estão relacionadas em algum nível. O que quer dizer que, mesmo que seus pacientes pensassem coisas que julgavam ser bobas ou inúteis ao tratamento, era precisamente este conteúdo que estava relacionado com o seu sintoma de maneira indireta. Foi com esta lógica que Freud passou a analisar os sonhos e descobriu que eram semelhantes às formações de sintomas nos histéricos e, depois, pôde ampliar a psicanálise à normalidade, por assim dizer.


Pois passou a aplicar a teoria da resistência aos sonhos e, de posse deste novo princípio teórico, descobriu os mecanismos psíquicos envolvidos no funcionamento deles, os sonhos. Assim, supôs que os sonhos, por conta da resistência, aparecem para a consciência depois de muito já se ter distorcido o conteúdo inconsciente. Somados à resistência, mais três princípios ainda se observam nos sonhos. Primeiro que são imagéticos, ou seja, sonhamos com imagens. Dificilmente com palavras. Segundo e terceiro os mecanismos de condensação e deslocamento. Estes quatro elementos (resistência, imagem, condensação e deslocamento) fazem dos sonhos o que eles são e os distorcem até serem toleráveis à consciência. Freud deu pouquíssimas explicações sobre o funcionamento destes mecanismos na terceira lição. Pretendo fazer o mesmo.


Condensação, também descrita de maneira chula, é quando em uma mesma figura do sonho se observam várias outras figuras agrupadas nela. Exemplos práticos são as figuras mitológicas gregas que se compõe por uma parte humana outra animal. A sereia, que é metade mulher e metade peixe, seria um bom exemplo de condensação. Já o deslocamento acontece quando uma idéia não consegue atingir a consciência e então "pega carona" em outra idéia que consiga. Exemplo disto é quando sonhamos com alguém que não é outra pessoa que não aquela, por exemplo um amigo. Mas aquele amigo, naquele sonho, tem todas as características, por exemplo, do pai de quem sonha. Essas características se conseguiriam por análise. A resistência já fora citada na segunda lição. A análise destes mecanismos proporciona a interpretação dos conteúdos inconscientes do paciente. Lembre-se que interpretação e incosciente são conceitos que variam na obra do Freud. Há que se pesquisar sobre seus significados em cada momento histórico da obra do autor.


E ainda, os atos falhos e a associação livre também seguem princípios que proporcionam, tal qual o sonho, caminhos aos conteúdos inconscientes. O ato falho é o que chamamos de "erro" ou "engano". Quando trocamos uma palavra ou letra durante a fala, quando trocamos o nome de uma pessoa pelo de outra, estes são atos falhos que expõem parte dos conteúdos inconscientes. E a associação livre acontece quando, em análise, dizemos ao paciente que ele deve dizer tudo o que pensar, livre de qualquer regra moral. Estas três instâncias funcionam sob o determinismo psíquico. Assim, qualquer idéia que surja no decorrer da análise destas três situações estão ligadas por algum conteúdo não necessariamente explícito pelas próprias idéias.


Na terceira lição, apesar de toda a teoria empenhada por Freud, apesar da introdução da noção de determinismo psíquico, apesar de introduzir os mecanismos constituintes dos sonhos, apesar de mostrar que a análise dos sonhos, associações livres e atos falhos são o caminho mais seguro para o inconsciente e base da psicanálise, ainda fico com uma outra lição não dita de maneira direta neste texto. Claro que todas as lições acima devem ser levadas a têrmo e apreendidas como deveras importante. Mas em se tratando de introduzir a obra do Freud, eu diria que a grande lição é que se pode aplicar os princípios do funcionamento mental observado na constituição da histeria em pessoas ditas sadias. Ou ainda, a psico(pato)logia da vida cotidiana é perfeitamente observável.


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5 comentários:

  1. [...] resumos das Cinco Lições de Freud podem ser lidos em Primeira Lição Segunda Lição Terceira Lição Quarta Lição Quinta [...]

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  2. Bastante bom,sucinto mas eficiente.Achei legal o jogo de palavras psico(pato)logia, pois na verdade nós, psicólogos,deveriamos nos atentar mais às patologias do cotidiano,ainda mais nessa sociedade doente na qual vivemos.

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  3. [...] Lição ◊ Terceira Lição ◊ Quarta Lição ◊ Quinta Lição [...]

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  4. [...] Lição ◊ Segunda Lição ◊ Terceira Lição ◊ Quinta Lição [...]

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  5. [...] Lição ◊ Segunda Lição ◊ Terceira Lição ◊ Quarta Lição [...]

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