Chuck Lorre é o criador e produtor de duas recentes séries de televisão que passam nos canais fechados. O Two and a half men e o The Big Band theory (traduzidos livremente por Dois homens e meio e A teoria do Big Bang). O humor ácido e direto de Lorre tem feito sucesso no Brasil.
Uma curiosidade: ao final de cada episódio destas duas séries, Chuck coloca no ar um cartão que ele escreve após cada episódio. Vanity card não tem tradução precisa, mas a Wikipedia diz que é um logotipo de produção que promove uma marca. A palavra Vanity em si pode ser traduzida tanto como Orgulho excessivo (excessive pride) quanto como Vazio (emptiness). Talvez o nome Vanity não tenha sido em vão, e parece que as três definições fazem sentido. É um cartão que promove o Chuck Lorre, escrito com orgulho e sarcasticamente dito vazio, o que é característico no humor de Lorre. Para conferir cada cartão é preciso gravar o final dos episódios até depois de todos os nomes e créditos. Isto porque cada cartão aparece por menos de um segundo em uma tela de fundo branco. Para ler na televisão, pause o vídeo no fundo branco. A outra opção é entrar na página do autor e conferir todos os cartões já publicados (em inglês).
Até aqui, nenhuma novidade para os aficcionados nestas séries. O que talvez possa ser interessante é que existem alguns cartões que a CBS, produtora dos episódios nos Estados Unidos, censura. Sim, a censura também atua por lá e os brasileiros deviam mesmo saber que o "Free world" (mundo livre), como eles gostam de se intitular, é livre às custas de eficaz controle das liberdades. Inclusive atuando sobre a liberdade de outros países, de maneira direta e indireta. Lembre: esta não é uma discussão sobre quem é ou deveria ser livre, ou ainda sobre como deveríamos ser. É antes e tão somente um alerta para o fato de que a total liberdade pregada pela democracia estadunidense não é tão verdadeira quanto eles querem.
Lorre é um dos alvos. Como eu disse antes, alguns de seus Vanity cards foram censurados pela própria emissora e nunca puderam ir ao ar. Mas nós, claro, conhecemos as artimanhas. Ou passaremos a conhecer agora.
O cartão #171 foi o primeiro a ser banido do ar. Para que não passasse em branco, Lorre escreveu outro para que fosse ao ar. Pena estar em inglês, mas faço uma tradução livre: "Censurado, disponível para leitura se você souber onde procurar". O #217 é sobre censura e foi censurado. Chuck nos alerta, mais uma vez, que se soubermos onde procurar poderemos ler o conteúdo alvo da censura. Pois bem, aqui vai.
Para ler o conteúdo censurado basta adicinar a letra "c" ao final do link de cada cartão. Por exemplo, o link do cartão #171 é este:
http://www.chucklorre.com/index.php?p=171
Para acessar o conteúdo que não foi ao ar apenas adicione "c" ao final deste link e pronto:
http://www.chucklorre.com/index.php?p=171c
Quero aproveitar o tema Censura para comentar um cartão de Lorre que não foi censurado. O #155. É uma carta aberta à FCC (Comissão Federal de Comunicação, em inglês). Este órgão é o regulador de conteúdos e censuras nos Estados Unidos entre outras atribuições. Na carta, Lorre diz que determinar o que é vulgar baseado no "caso a caso" claramente confunde a todos. Então ele propõe uma solução para evitar desentendidos. Listado em duas colunas se vêem coisas Comumente boas e Comumente ruins. Nas boas: Celebrar os buracos humanos criados por Deus, Beijar consensualmente, Mostrar qualquer parte do corpo, Palavras que provoquem emoção ou fazem rir. Nas ruins: Celebrar buracos humanos criados por humanos, Atirar e explodir não consensualmente, Mostrar qualquer parte do corpo levando tiros, Palavras que provoquem violência. Depois disto, diz que esta seria uma maneira bastante saudável de pensar a menos que se queira criar uma cultura baseada no medo, com sede de sangue e feliz com guerras, entre outras coisas. "Mas parece não ser o caso", ele diz. Sarcasticamente, claro.
Em um certo sentido, não teria ele razão?
Gostei, parabens.
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